Cheque especial: mocinho ou vilão?

 

Só de ouvir a expressão “cheque especial”, muitas pessoas já criam uma imagem negativa imediatamente. Afinal, em qualquer dica de educação financeira, ouvimos economistas dizendo que o cheque especial deverá ser sempre a última opção, medida excepcional em casos extremamente urgentes.

Mas será que é bem assim? Vamos analisar os diversos fatores que devem ser avaliados para que você não entre em uma bola de neve de dívidas. Confira nossas dicas!

Como funciona o cheque especial?

É uma modalidade de contrato de empréstimo automático entre o banco e você, que deixa sempre disponível em sua conta corrente um valor para o caso de saldo negativo.

Normalmente, o cliente deverá pagar juros para cada dia em que o saldo ficar negativo em sua conta, além dos encargos bancários. Alguns bancos oferecem o benefício de permitir que o cliente deixe seu saldo negativo por um período curto sem que sejam cobrados os juros.

 

Quais são as taxas médias do cheque especial?

A taxa de juros é sempre calculada tendo em vista o risco que o banco corre de não receber a quantia cedida. Como o cheque especial é automático e não envolve uma análise de crédito no momento do empréstimo, ele tem um alto custo, que só perde para as taxas do cartão de crédito na modalidade empréstimo.

De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, a taxa em 2014 chegou a atingir uma média de 210,44% ao ano. Por isso, é importantíssimo avaliar o seu uso.

 

Devo, então, eliminar meu limite de cheque especial?

Não recomendamos essa opção, pois essa modalidade de crédito tem, sim, suas vantagens. Por exemplo, vamos supor que algum credor tente sacar um cheque dado por você, mas seu salário atrasou e não há saldo suficiente.

Com seu limite de cheque especial, o cheque poderá ser compensado e você evitará um cheque devolvido e seu nome incluído no CCF.

 

Posso usar meu cheque especial à vontade e sem medo?

Lógico que não! A menos que seja uma situação semelhante a anterior, nas demais, o cheque especial é extremamente desvantajoso. A taxa de juros de quase todas as outras modalidades de crédito são inferiores às do cheque especial.

Ou seja, ao invés de contratar o cheque especial, peça ao seu gerente um empréstimo convencional, por exemplo. Então, não utilize o crédito especial para pagar contas já vencidas.

Outra coisa que você jamais deverá fazer é pensar nesse limite como se fosse parte dos seus rendimentos todo o mês. Há pessoas que fazem isso e afundam assim que algum imprevisto ocorre.

 

Em quais situações o cheque especial deve ser utilizado?

Para evitar:

  • protesto de títulos;
  • um cheque sem fundos;
  • uma multa maior do que os juros que serão pagos;
  • atraso com algum credor importante de quem você goze da confiança;
  • para conseguir um desconto superior aos juros que serão pagos.

 

Em quais situações ele jamais poderá ser utilizado?

Ele é proibido para:

  • fazer compras rotineiras;
  • pagar contas com juros menores do que o do cheque especial;
  • compensar seu descontrole financeiro;
  • utilizar como adiantamento do salário;
  • aumentar seu endividamento.

 

Então, mocinho ou vilão?

Se utilizado corretamente, o cheque especial pode ser aquele herói que chega de última hora para salvar o mundo. Caso contrário, ele se torna um vilão digno de qualquer filme do Batman.

O cheque especial não foi feito para você aumentar seu endividamento, e sim para te salvar de um comprometimento de renda maior. Já diria o tio Ben: quanto maiores os poderes, maiores as responsabilidades.

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